Uma Foda, algumas Petecas e antes das Duas seu Bolso estará forrado da Nota
De vez em quando alguém dava algum ponto pro Jurandir, lhe passava fumo pra vender na orla. Coisa mixa, nada que rendesse. O incauto tava cheirando mais do que podia bancar. Os descolados da Lapa mal podiam ver sua fuça. Oséas tinha seus esquemas, mas no momento tava queimado com os descolados. Sobrara Jurandir, Oséas lhe deu pó, coisa boa, pra vender. Recomendou que não malhasse a coisa com maisena, queria clientela fixa. Gostava que seu revendedor servisse pó de qualidade. Jurandir pegou quarenta petecas gordas, um grama cada, nunca ninguém havia lhe dado tamanha pontuação. Era sua chance pra se destacar. Pra distribuir não precisava de muita lábia, conhecia umas putinhas do calçadão. Uma bunda morena, recheada e a cabeça feita era tudo que um gringo queria. Cada foda de um estrangeiro lhe renderia três ou quatro petecas, e antes das duas da matina seu bolso estaria forrado. Elas agilizavam seu lado e em troca Jura evitava que algum bêbado descontrolado afanasse a bunda delas. Daí era só apresentar a grana pro Oséas e ficar com o lucro. Era um negócio de duzentinho por noite,a grande chance de Jura.
Era noite quente de sexta feira. Putaiada duplicando a nota, estufando o bolso. Gringaiada esvaziando os ovos. Todo mundo no rendimento. Até o poeta com seus versinhos encadeados em forma de cordel tava se bacaneando. Jurandir na cachaça, nessa noite ia de São Francisco por que tava de barão. Jussara via o pó descendo, chegou junto. Pediu três. "Depois que o Holandês pagar eu acerto". Engoliu a pica do gringo e sumiu, nem cheiro do suvaco de Jussara . Jura desceu mais pinga, a cana caiu na garganta queimando de injuriação. Depois subiu pra cabeça e ele curtiu o relaxo. Tatiane que era da rua do Lavradio e conhecia Jurandir de fama e de fracassos foi chegando rebolosa com sua imensa bunda tanajura. Pediu uma taturaninha e pegou na saroba do menino. Jura mandou mais uma boa talagada devido à sua empolgação. Abriu uns cinco papéis no Pierrot, perdeu a noção. Tati rebolava gostoso, tinha coxas torneadas, morenas e duras. Uns cento e vinte de bunda, redonda, cortada por uma micro calcinha branca. Passava a mão na buceta e dava pra Jura cheirar. Tava disposta a dar tudo aquilo pro Jurandir por setenta paus. A trepada, mais o dinheiro da pernoite no hotel da ladeira somava cento e dez paus. Era o que ele tinha no bolso. já tava na dívida de cem paus com Oséas, mas diante daquele rabo exuberante do qual Tatiane era dona, quem se importava. Oséas que tomasse suas providências. Jura queria assar sua lingüiça naquele cuzinho de Deus. Foram de ônibus pra Lapa, porque de táxi a grana não dava. Se pegaram no caminho. Tati fez uma presa pro cobrador, já que não tinham mais nem o do ônibus e o coletivo tava vazio.
Jura acordou de culhão e estoque vazio. Tati picara a mula levando o pó encalhado. Escorria um bocado de sangue do seu nariz e sua boca tinha gosto de pano sujo. A conta do hotel não tava paga. A recepcionista da manhã conhecia Jura de longa data e fez vistas grossas, não antes de esculhambar o infeliz. Ganhou as ruas, seus desafetos estavam dormindo naquela hora do dia. Enfiou sua cabeça debaixo de uma torneira e sentiu-se melhor. Depois pegou o bonde até Santa Tereza e ficou de boa sacando a paisagem até anoitecer. Sabia que precisava se retratar com Oséas, que àquela hora, já eram por volta das seis, ele estaria encomendando sua alma. Mais cedo ou mais tarde teria que se apresentar e pelo menos arrumar uma boa desculpa. Mas não adiantaria, quase metade da Lapa o tinha visto desfilando com a Tati. Oséas já devia estar sabendo da vacilada. O negócio seria descolar uma compensação pro mala. Ocorreu-lhe uma idéia. Oséas era feio, tinha um rosto amarelado, macilento, de quem toma cachaça e nunca come. Suas canelas eram finas e faltava um bocado de dentes na sua boca. E segundo as putinhas, seu pau era minúsculo, quase do tamanho do pau de uma criança. Nunca conseguia mulher, nem as putas nem as travecas o queriam. Podia pagar o que fosse que era esnobado, não havia profissionalismo que desse conta de tamanha feiúra. Sabia que Oséas andava desesperado por uma bacalhoada. Então o negócio era aparecer com uma garota diante dos olhos famintos do mala e quitar sua dívida. Não pensou mais sobre o assunto, desceu pra Copacabana. O lance seria esperar uma suequinha, uma que viesse atrás de um brilho. Ele tinha pouca bossa, mas com uma gringa seria fácil. Levaria a presa até a Lapa na promessa da melhor farinha. Ficou perto do Copa, descolou uma lata de cerveja pra fazer um tempo. Fazia cara de desejo, as gringas passavam falando enrolado e rindo, gostavam dos pretos e ele era um deles, tava no lucro naquele momento. Elas passavam e ele acariciava o pau. Era bem dotado, deixou a trolha sobressalente. Elas olhavam, riam e falavam ainda mais enrolado. Uma olhou com mais afinco, era coxuda, tinha peitos enormes. Uma alemã bem cavalona. Ele levantou a latinha ameaçando um brinde, era um convite pra luxúria. A alemãzinha se aproximou, se destacando do bando que a acompanhava. Jurandir segurava a lata com uma mão com a outra tocava a benga por cima da calça. Os bicos dos peitos da loirinha despontaram, ela devia estar com o meio das pernas molhadas, ele pensou. A égua falava um pouco de português, o suficiente pra fazer a pergunta que era óbvia, e que ele esperava com tanta ansiedade. Ela queria saber onde podia conseguir um pouco de cocaína. Ele foi um pouco galante com a moça pra ganhar confiança e disse que ali não tinha, mas que conhecia um sujeito capaz de colocar a melhor que ela já tinha cheirado em toda vida. Ela não titubeou e seguiu o rapaz. Pagou o táxi, e em menos de vinte minutos eles estavam na boca da Lavradio. Naquele momento os pretos se multiplicaram diante dos olhos da moça. Eram tantos que os bicos de seus peitos pareciam saltar pra fora. Ela era só sorriso. Os dois sentaram numa banquinha de calabreza pruma São Francisco. Se esbaldaram. Ela enrolava a língua e queria conhecer o tal cara que arranjaria o melhor pó do pedaço. Jura pediu que ela ficasse de boa, que Oséas apareceria dali a pouco. Em menos de quinze minutos o mala apareceu, macilento, intimando Jura. O moleque levou Oséas prum canto, numas de acalmar seus nervos.
"Tá vendo aquela suequinha que tá comigo?"
"Vi sim, e daí, eu quero os meus cenzinho."
"Olha ela tá afins de ralar a xereca comigo, já pegou na minha vara e tudo, mas vai por mim, ela tá mais a fim de pó do que de rola, então se você descolar uma carinha pra ela, você pode sarobar a vadia à vontade. Que eu trouxe ela todinha pra você."
Oséas mudou de feição. Parecia uma criança. Foi até a garota e se apresentou. Depois mostrou o que tinha na mão. A menina ria que nem uma hiena. Parecia que nunca tinha visto pó na vida. Jura ficou na dele e ela saiu abraçada com Oséas. O bicho ficou exibido com a potranca. Há muito tempo não era visto abraçado com uma fêmea, quanto mais uma gringa gostosona como aquela. O menino ficou numas de bebericar de leve o resto de pinga num copinho de plástico enquanto Oséas se afastava. O bichinho tava exausto, capotou ali na barraquinha mesmo. Ficou relaxado durante uma hora, mas pareceu uma noite inteira. Acordou com Oséas batendo-lhe na cara.
"Eu pensei que tava acertado, você fodeu ou não fodeu a gringa?" "Fodê eu fodi, e quer saber, fodi gostoso, até o cuzinho da vadia eu arreganhei, você precisava ver, era todo rosado, mas a parada dos cem nem é comigo, é com a Samanta."
"Mas você tinha me falado...."
"Não tinha falado nada, eu te dei o bagulho pra você vender. Você vendeu e não compareceu com a nota , agora o lance é com a Samanta."
Todo mundo sabia da fama da Samanta, era uma traveca pica grossa. Tinha o zóio raiado por causa dos tantos desafetos espetados à faca pelas suas mãos. Era um cara alto e magrelo, com os ossos da cara sobressalentes e duas muchibas feitas de silicone industrial. Era um dos homens mais feios da face da terra que por capricho e senso de realeza se vestia de mulher. Jura já podia se imaginar agasalhado num paletó de madeira descendo lentamente por uma cova no cemitério do Caju.
"E aí seu merda, cadê minha grana, viadinho ? " Disse Samanta.
"Se você descolar mais uma cara da branca eu juro que negocio tudo até amanhã."
"Sem chance, bostinha. A mona aqui não é de dar arrego. Pisou na bola, paga."
"Mas eu tô liso."
"Espero que seu cuzinho também esteja, porque se não estiver eu depilo com os dentes. E ai de você se a cuequinha já estiver suja de cocô !"
Samanta levantou a blusinha e mostrou a coronha. Tudo que Jura tinha a fazer era acompanhá-la até o hotel da ladeira. O mesmo hotelzinho que tinha presenciado sua deliciosa foda com Tatiane na noite anterior. Não tinha escapatória, naquela noite seu cuzinho seria de Samanta.
Escrito por Blue Velvet às 11h22
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