As Vadias do James Brown


Loira rabudona - $ 20,00 (Uma bagatela)

 

 

 

Vez ou outra eu dava umas bandas pela Praça do Correio. Subia a Capitão Salomão até o Largo do Paissandú. No meio do caminho sempre era abordado por uma putinha. Ali ficam as piores, então a coisa nunca dava pé, puta de rua no centro sempre parece ter bafo de porra. O motivo é simples : quase nunca tem uma pocilga decente pras meninas escovarem os dentes entre uma chupeta e outra. Mas na João Mendes a coisa era um pouco diferente, há um tempo atrás as meninas eram menos avariadas. Eu lembro bem de uma, ela era loira oxigenada, eu sempre preferi as oxigenadas, aquelas em que a loirice não combina. Aquele tipo que uma bicha olha e diz que está horrível, que a menina carece de bom gosto. São exatamente essas que me deixam em riste. Essa loira tinha um par de coxas de parar obra, de fazer pedreiro bambar em cima do andaime. Ela me abordou num domingo na hora do almoço. Eu me lembro bem do preço, uma bagatela pela carne de primeira, vinte paus mais o hotel, se eu quisesse, ela tinha uns esquemas ali perto. O lance era o seguinte, se fosse só chupeta dava pra fazer num boteco que ficava ali atrás da catedral, o dono do bar alugava o banheiro por cinco paus. Então por vinte cinco eu descarregava o ovo e fazia um omelete na boca da moça. Valia a pela, pra mim pelo menos valia. Eu sairia no lucro, não ela. Mas o fato é que eu não quis lucrar. Já tinha fornicado com trocentas putinhas entre as que exigem remuneração e as que não exigem. Mas naquele momento, por causa de uma carolice, que de vez em quando me assola, eu não forniquei. Fiquei com uma pedra dando pala pro lado direito da cueca, mas não fui além. Eu via a torre da catedral naquele momento em que o mundo me proporcionava o maior dos prazeres, o melhor dos pecados capitais, que é a luxúria. Talvez por estar ao lado da maior igreja da cidade eu tenha afrouxado. E daí meu carolismo falou mais alto, ganhou do putão aqui. 1x0 pro meu catolicismo. Não que algum dia eu tenha deixado de ser católico.  Mas me limito a fazer o sinal da cruz diante das igrejas pelas quais eu esteja passando. Entrar dentro de uma eu não entro há alguns anos. Missa, então, eu não assisto  há pelo menos uns dez.  E não comungo mais desde os doze anos de idade. Mas alguma coisa  carola ainda me perseguia e foi essa coisa que fez que eu não me deleitasse naquela coxudona, naquela bunda de cento e vinte centímetros. Tudo ali na minha frente por um preço promocional. Se pá, Deus foi quem botou aquele presente na calçada e  me guiou até lá. Talvez os sinos da catedral fossem um convite pro paraíso. Eu fui um moleque que freqüentou todas as missas de domingo, que acompanhou  a  homilia sem dormir, que fez a primeira comunhão e depois comungou sem nenhuma lacuna, mesmo estando cheio de pecados não confessados e pica dura por causa das garotinhas gostosas que tocavam violão na igreja. De qualquer maneira eu era um devoto acima da média. Um devotinho que fez uma tremenda desfeita para aquela Maria Madalena extremamente bem fornida, vestindo uma micro saia jeans e meias de colegial. Aquela carne toda num salto alto me convidou pruma chupeta  e eu interpretei mal o que talvez fosse apenas um singelo presente de Deus.

 



Escrito por Blue Velvet às 23h01
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