O Prêmio do Bicho
Soraia tinha 18 anos. Segurava sua prancheta de cadernos cobrindo seus peitões. Rebolava com maestria. Sua bunda sempre estava embalada numas calças de lycra. A calcinha aparecia minúscula, marcada pela calça. O salto alto tonificava tudo. A coisa toda ganhava uma boa porcentagem de curvas. Por onde ela passasse as buzinas disparavam, os pescoços se torciam até o último instante e ela flanava com um meio sorriso. Era mais que vaidade, aquele sorriso pedia rola. Era imaginativo, sugestivo. Quanto mais podrão fosse o sujeito que falasse alguma coisa sacana pra ela na rua, quanto mais escroto o naipe da sacanagem, mais ela se bacaneava. Dava pra perceber pelo rebolado, pelos bicos do peito sobressaltados. Se um sujeito passasse por ela e falasse alguma coisa do tipo: " E aí vagabundinha esse rabão todo tá pedindo pra assar minha lingüiça" ou: "E aí sua égua, tô com vontade de esporrar só de olhar pro teu rabo". Se o cara tivesse a cara de falar isso pra ela sem o mínimo pudor, se falasse em alto e bom tom pra que todos escutassem, ela ouriçava, ria um pouco mais e rebolava pedindo todas aquelas rolas que a tratavam que nem uma vagabundinha de quinta categoria. Segundo as línguas do bairro, ela falava sobre todos os nomes que os machos lhe diziam na rua. Ela contava e seu namoradinho se misturava no ciúme e no tesão e fodia a piranha pelo resto da noite. Fodia e não adiantava, seu pau não parecia ser o suficiente para aquela buceta rosada e insaciável. O bairro inteiro percebia. A coxudona se destacava. Homem que fosse de verdade não passaria incólume pela sua presença. Tinha tetas enormes e duras, uma bunda que passava ao largo de um metro, cintura fina. Cara de puta. Era mulher pra vários homens de uma só vez. Estranhava-se que ela não trepasse por uma boa remuneração ou não fizesse nenhum filme pornográfico. Talvez começasse logo. Tinha acabado e fazer dezoito anos. Tava na hora de pôr a buceta a juros.
Sandoval era o rei do bilhar e também o cara que fazia o jogo do bicho. Vivia no botequim do Júlio. Se alimentava de Dreher, era amarelo, de canela fina. Só fígado. Da esquina podia-se sentir o cheiro podre que vinha de dentro de Sandoval. Vivia se regozijando que era parada dura, que seu pau era o maioral. Grosso e cheio de veias, que endurecia fácil e esporrava longe. Abastecia uma putinha de doze anos, pagava-lhe pequenas besteiras e atolava na sua florzinha sempre que tinha vontade. Mas seu desejo era Soraia. Nunca tinha tido uma mulher daquele naipe na cama, no mato, onde quer que fosse. Sabia que se ela lhe desse uma oportunidade, não se arrependeria.
O bar do Júlio poderia virar um puteiro, ele dizia. Tinha um salão de bilhar nos fundos e umas máquinas de fazer dinheiro. Os caça- níqueis estavam lacrados pela prefeitura, dava pra tirar de lá e botar uns rabões no lugar. Nessa linha de raciocínio ele teve uma idéia. A idéia era fazer uma vaquinha entre a boemia toda e arrecadar dinheiro suficiente capaz de convencer Soraia a fazer um strip tease. Uns trezentos paus valia, ela ia ficar tentada. Daí O Zé do Tambor soltou essa: "Com trezentos paus eu como quinze putinhas ali na avenida. Tá vendo aquele puteirinho ali? Ó!!! Tá vendo ? Quinzinho e elas libera a bundinha ".
"Mas ali não tem mulher que nem essa vagabunda, e tem mais, essa nem é profissional. A gente é que vai convencer ela a virar puta por uma noite." Disse Sandoval.
"E quem é que vai atolar a rola na muié"
"Sei lá, a gente dá umas pinga pra ela e quem sabe ela não faz uma suruba com a gente."
"Eu não participo de suruba, mano, nem com ela na pegada. Ou é eu e a muié, ou nada, suruba, homem roçando homem , nem fudendo." Disse o Zé do Tambor.
"Certo, gente pode sortear, ou diputar no dominó."
"Melhor, ela pode ser o prêmio do bicho, Sandoval."
"Fechado, essa é boa."
"E a sua putinha, Sandoval, aquela criança ? Será que você pode rifar a menina também ? “
Sandoval pegou seu trabuco atrás do balcão. E não falou nada. Só passou a flanela em volta e guardou de novo. A negada calou. Beberam um trago e baforaram os Derbies. Soraia passava do outro lado da rua, sozinha, de mini saia e top rosa shock. Nada melhor pra aliviar a vida suburbana da Vila Carioca. Sandoval foi galante. Passou o pentinho no cabelo ensebado, abotoou a camisa e atravessou a rua até o ponto de ônibus onde a ninfeta esperava o seu.
Acertou tudo tranqüilamente com a ninfeta. 300 paus pelo strip mais 100 pela trepada. E menina nem titubeou. Apenas deu um riso cínico diante da proposta e entrou no ônibus. À noite ela estaria lá, dez em ponto. Sandoval voltou pro bar se achando o dono da bola. Cheio da moral. Agora ele fazia e acontecia. Também era cafetão. O provedor da luxúria. Arrecadou a grana, meteu no bolso. Esperaram a noite. Beberam, jogaram caxeta, bilhar, beberam mais um pouco. Dez horas e tava todo mundo estalado, esperando aquele mais de metro de bunda dar o ar da graça. Já passava das dez e ela não aparecia. Sandoval começou a ser desacreditado diante de seus camaradas. Pediam-lhe o dinheiro de volta. Ele pedia um pouco de paciência. Que se ela não aparecesse, ele devolveria a grana de todo mundo. Que o dinheiro não ia sair correndo do seu bolso. Chegou onze e meia e nada da menina. Tava todo mundo brochando. Daí ela apareceu na porta. Atrás dela, uma cara meio índio, com a cara talhada, magro e musculoso. Alguma espécie de assassino profissional. O combinado não era necessariamente uma apresentação de sexo explícito. Então um cara junto não fazia sentido. Segurou a grana na mão. O índio se aproximou do balcão e pediu uma pinga. O 38 do Sandoval tava descarregado. O índio apresentou uma bela faca de churrascaria no pescoço do aspirante a cafetão. Pediu a grana. Soraia ria cínica e rebolava de acordo com a musiquinha que rolava em seu fone de ouvido. Ela rebolava bem, mas a música estava longe de ser boa. O resto do bar era só o que sobra num fim de noite. Ninguém se manifestou. Sandoval entregou a grana. O índio matou a pinga e agarrou a menina pela cintura. Saíram pela rua. Quase do outro lado do quarteirão, o índio enfiou a mão por baixo da saia da menina e apertou sua bunda, de modo que todos pudessem olhar aquele volume delicioso. Ela segurou firme sua benga enquanto o beijava. Se beijaram e se morderam um bocado. Depois o que dava pra perceber é que ela se abaixava e agora chupava ele pra valer. Até receber uma esporrada satisfatória no meio dos peitos.
Escrito por Blue Velvet às 17h00
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