Eram três coxinhas e um misto quente. Aquilo seria minha janta, um banquete às três horas da manhã. Eu tava chapado de Domecq e com o pau parecendo uma pedra. O que importava nesse momento era uma bunda grande e redonda pra me acalmar. Tinha duas delas no bar do Já Morreu na Liberdade. Vestiam microssaias e a polpa de suas bundas me convidavam pruma suruba luxuriosa. Elas falavam e rebolavam, parecia que nenhuma pica seria capaz de apagar a putaria que pinicava em suas cabeças. Ali eram donas da bola, mestras da chave de coxa. Pelo horário e o sorriso já tinham ganho a bolada. Tavam numas de provocação, eram profissionais que faziam seus serviços com prazer e devoção. Todos os pingaiadas do final da noite pareciam realmente satisfeitos com o que estavam vendo. Se iriam fodê-las ou não, isso era outra questão. O que importava era que aquilo inspiraria uma boa punheta.
A maior delas, uma cavalona de quase um metro e oitenta de altura, tinha uma proporção de pernas pra lá de satisfatória, um troço cor de mel que depois de besuntado com óleo faria um cara gozar só de olhar aquilo tudo. Eu não tinha grana pra pagar por aquelas putas, iria me acabar minutos mais tarde assim que devorasse meu banquete e subisse pro meu mocó. Eu tinha uma namorada que geralmente dormia com a bunda arrebitada cortada por uma micro calcinha. Olharia aquilo e bateria uma punheta sobre seu rabo e gozaria toda porra de meus culhões por lá. Seria isso e eu dormiria em paz, de cara cheia e satisfeito. Aquelas vadias que se fodessem. Eu tava liso, minha grana tinha sido gasta em Domecq e havia sido justo. Eu tava quites com a noite.
Subi com a idéia fixa de fazer exatamente o que havia planejado. Gozaria no rabo da Morgana e ela nem perceberia. Tinha um sono de pedra aquela garota. Se eu a acordasse com o pau entre suas pernas e pilasse sua bucetinha ela provavelmente ficaria agradecida, mas o tesão era outro, voyeurismo algumas vezes é mais tesudo e gratificante. Entrei de leve no quarto e devorei os quitutes, e ela tava lá exatamente como eu imaginava, de rabo arrebitado com um travesseiro sob a barriga. Fui arrancando meu pau pra fora e jogando um cinco contra um. Tesão de conhaque é um troço supremo, se um cara com alto nível de testosterona não tiver um certo controle ele pode até estuprar uma mulher exibicionista no meio da madrugada. Confesso que já senti vontade de fazer um troço desses uma porrada de vezes, mas um pouco de civilidade não faz mal a ninguém eu sempre segurei minha bronca. E isso acontece independentemente do tarado fazer sexo regularmente ou não. Testosterona é uma coisa traiçoeira. O sujeito queima os neurônios de uma só vez e perde a mão da massa e acaba fazendo besteira.
No meio da suruba imaginária, Morgana começou a soltar umas frases desconexas, gemia e sussurrava como se eu a estivesse fodendo de verdade, mas o fato é que a mulher dormia que nem uma pedra e nem desconfiava da minha presença. Aquilo não era comigo, talvez sonhasse que fodia com outro cara. Melhor ainda, aquilo me deixava mais instigado. Quanto mais eu socava a bronha mais ela gritava, talvez aquilo fosse sexo telepático, mas eu não acreditava nessas bobagens. Ela tava ali, sonhando que outro macho socava sua buceta. Era isso, eu tava sendo corneado em sonho, um puta dum adultério onírico.
Aquilo me emputeceu, desci até o bar e entrei no meio das putas que tinham um quarteirão no lugar do rabo. Tinha um homem franzino com elas, parecia ser um taxista das antigas procurando diversão no final da noite. A proposta era a seguinte, se ele desse uma carona pra elas até o Bairro de Moema o sujeito ganharia uma chupeta caprichada. Pedi mais um conhaque e dei um gole só, pra relaxar. Elas apreciavam minha presença, ainda que eu não tivesse aberto o bico, provavelmente era esse o motivo e era melhor que continuasse assim. Eu calado sacando a dimensão da putaria. A coxas de mel olhou pro meu lado e disse que tudo que ela precisava era de um pouco de cocaína pra se alegrar e se eu sabia onde encontrar. Tava oferecendo banana pro macaco. Eu conhecia quase todos os traficantes que faziam suas tretas no local. Tinha algum crédito com a escória e não foi nem um pouco difícil fazer a vontade da piranha.
Voltei com uma peteca regada, só pra ela. É sempre melhor foder uma mulher enquanto ela tá de cabeça feita e você limpo, chapado só de um bom e velho destilado. Entreguei seu prêmio e tava convidado a participar da suruba. O velho dirigiria e eu seria chupado no caminho. Depois seria sua vez, tava tudo acertado. Era só ligar o motor e fazer a coisa enquanto ainda era noite. Saímos daquele bar lotado e logo que o Jeremias entrou na 23 de maio as putas engoliram meu pau, não precisou de muito pra que eu gozasse, tava satisfeito. Agora eu só queria descer daquele carro cheirando porra e voltar pra minha casa, tava exausto. Era a vez do taxista e eu não tava nem um pouco a fim de assistir nada. Pedi pra descer, o cara parecia não me escutar ou se fazia de surdo. As putas me ignoravam completamente. Era como se eu tivesse ficado invisível depois da esporrada.
O velho parou o carro num acostamento ainda na Vinte e Três de Maio, perto de uma árvore. Um lugar inóspito, ali eu viraria presunto sem que ninguém visse. Porra, o cara era pervertido e naquele momento provavelmente meu rabo tava em jogo. Pensei que devia me envolver na suruba onírica da Morgana e ser um corno onírico também. Se tivesse feito isso agora tava numa boa de pau mole e tranqüilo.
O taxista sacou uma faca, do tipo faca de churrascaria. E olhou pra mim com uns olhos possuídos :
“Pervertido filho da puta, desce aqui mesmo com esse bando de puta que aqui é o carro do Senhor”
“Mas se você é crente porque trouxe a gente até aqui e deixou o menino ser chupado no seu táxi ?” A putona loira disse.
“Satanás tava me testando, mas Jeová ganhou a batalha”
A gente desceu na miúda, pelo menos estávamos livres do pior. Colocamos os pés no chão e começamos a andar de volta em direção ao centro. Não abríamos o bico, aquilo era simplesmente uma anomalia. Foram menos de cinco minutos de caminhada e o filho da puta parou com o táxi do nosso lado.
“Tenho coisa melhor pra vocês, acabei de conversar com Jeová. E ele me deu umas dicas”
Gelei, as putas começaram a sentir frio de verdade. Não havia saída. O cara já não tinha simplesmente uma faca nas mãos, e sim um trinta e oito mirado pra nossa cabeça. Tudo que podíamos fazer era ouvir o que ele tinha a dizer. E provavelmente o que ele tinha a dizer não era nada legal.
“Bem, eu quero que vocês meninas, vistam esse casaco, pois parecem estar com frio.”
Ele começou a recitar trechos da Bíblia. Olhava pra mim como se me reservasse o pior.
“Agora você garoto, tá na sua cara que Deus realmente te deu oportunidades e você não aproveitou. Agora essas mulheres vão morrer e você vai assistir”
“A gente vai pra sua igreja, pastor, e larga mão de ser puta” A morena disse.
“Jeová falou agorinha mesmo que vocês são irremediáveis, e não tem negociação, vocês vão morrer pra ter uma nova chance no céu”
Olhei pras mãos do Jeremias, parecia realmente decidido. Pediu que as meninas se ajoelhassem de frente pra árvore, recitou mais um trecho da bíblia e apertou o gatilho. “Vão pros braços de Jeová, meninas”
Foram dois estampidos na nuca e aquelas beldades ficaram ali estiradas na calçada. Um bocado de tesão desperdiçado. Um desserviço público.
“Agora que isso sirva de lição pra você, garoto, escravo de Satanás, carne fraca, aquelas mulheres são o diabo disfarçado. Agora volta pra sua família e ore em nome de Jeová”
Devo ter corrido durante uns quinze minutos, antes que Jeová mudasse de idéia e decidisse que meu fim fosse um bocado cruel. |