As Vadias do James Brown


   Manzanas Argentinas

 O gosto de Maria-Mole sempre me trouxe uma doce recordação. Eram assim os fins de noite.  Só se juntar às putas ou travestis em final de expediente e pedir uma dose regada de Maria-Mole numa banquinha de hot-dog; era só isso e depois de alguns minutos a coisa toda pareceria mais leve e  a vida um bocado mais amistosa. Eu sempre colocava uma ou duas doses pra algumas delas, essa era a regra. Se um cara senta ao lado dessas prestadoras de um incrível serviço social, ele tem que se fazer presente, uma  dose generosa pras meninas e Deus começa a conspirar a seu favor.

Naquele domingo eu tava com problemas suficientes pra roer a borda do inferno até conquistar seu centro. Eu queria sexo fácil com putas generosas, e  as putas mais generosas que eu conheço são os travestis que fazem ponto na Indianópolis. Elas sempre estiveram disponíveis pra mim. Sempre foram meu trunfo nas piores horas,  e  nesse dia não  ia ser diferente. Estavam todas lá, umas mais exuberantes, outras caídas. Mas estavam todas realmente muito a fim de foder e tomar todas. Pertencíamos ao mesmo barco. Cheguei no quiosque do Alemão e elas cresceram o olho pro meu lado. Eu era apenas um garoto e elas não estavam acostumadas com garotos no seu pedaço,  pelo menos não estavam acostumadas com sujeitos do meu naipe, capaz de misturar uma boa dose de safadeza com  cavalheirismo, e, no mais, eu era um menino com uma cara bem bacana. Isso fazia com que elas se sentissem mulheres de verdade. Assim a putaria ficava mais fácil, mais leve.

Tabatha era  a rainha delas, uma putona que tinha conquistado aquele quarteirão. Era uma espécie de líder comunitária das travecas. Jogava na cara das meninas o quanto elas eram bundas moles quando aparecia uma renca de playboys pra foder com tudo, e a travecaiada  deitava o cabelo em vez de arrancar o estilete da bolsa e ir pra cima dos caras. Dizia que tinha bunda, peito e uma trolha gigante, arrancava pra fora e mostrava pra todo mundo no quiosque. O Alemão se enfezava, ela guardava a trolha e pedia que seu macho, um motoboy gente fina pacas, a levasse até a bocada pra  que ela pudesse dar um brilho na vida, um lustro no desespero. Ele se esquivava da sua solicitação, fazia piadas cheias de bossa e ríamos todos.

 Eu já tava desencanado de sexo, aquela fauna me divertia. Era um bop de primeira e seus diálogos soavam como um trumpete alucinado dando uma trégua no fim da noite. Coloquei um bocado de Hi-Fi pras meninas, elas me passavam cerveja. Passavam as mãos nas minhas coxas, subiam até meu pau e me chamavam de criatura de Deus com o tempero do inferno. O Alemão pedia encarecidamente que elas me levassem pro drive-in e  chupassem meu pau até ficar esfolado. Elas olhavam pra mim pra ver se eu fazia cara de concordância, me fazia de dândi e  ao mesmo tempo dava um bocado de esperança pras meninas.

As travecas feias e decadentes eram as mais engraçadas, menos profissionais, mais rock and roll. As mais beldades obviamente acabam usando o rabo como um carro forte. Investem em alta tecnologia e viram verdadeiras atrizes pornôs. No meio dessas Pamelas Andersons você se sente transando na Sunset Strip, se sente um Jonh Stagliano procurando a bunda perfeita. Não há quem resista, aqueles rabos te convidam pruma suruba. Mas no quiosque do Alemão só permaneciam as feias e divertidas. As bem acabadas só apareciam de vez em quando, com um taxista que provavelmente era casado com uma dona de casa e queimava boa parte do orçamento com as melhores bundas da Indianópolis. A maioria das gostosonas eram amantes desses caras ou tinham seus cafetões. Nesse dia tinha duas espécies de Ângela Summers no pedaço. Usavam micro saias e tops justíssimos, suas bundas pareciam verdadeiras Manzanas Argentinas. Até o Alemão que era extremamente profissional tava abobalhado com as meninas. As feias faziam cara de desdém e diziam que eu era o macho delas, discordavam entre si e tentavam me agradar da melhor maneira possível. Se ofendiam mutuamente e depois riam.

Meu pau tava que era uma pedra quase estourando a braguilha. Aquele tipo de puta eu só tinha visto em Buttman em Milão, mas no filme eu achava que era truque de filmagem pra que as coisas ficassem enormes exatamente nos lugares que deveria ser. Mas não, aquilo existia e tava ali na minha frente, e melhor, estavam sozinhas. Não pareciam ser vigiadas por nenhum cafetão. Diziam que estavam com a bolada e só tinham parado  ali pra tomar as últimas doses da noite e se divertir um pouco. Não tiravam o olho da minha fuça, eu as tratava como deveriam ser tratadas. Não tinha mais banqueta  disponível no quiosque e a ruiva obscena pediu pra sentar no meu colo. Ela tinha sacado a metamorfose que minha mala havia sofrido desde que elas chegaram e tava a fim de sentir em seu próprio rabo. Deixei o troço encaixar como deve ser e matei um copo de Hi-Fi numa talagada só pra comemorar.

A ruiva foi logo me perguntando se eu tava  a fim de gozar . É claro que estava, mas deixei claro que não tinha a nota que ela estava acostumada a receber. A moça pediu que eu pagasse um Hi-Fi e a foda estaria quitada. Se eu quisesse, sua  amiguinha também estava disposta a participar da alegria. Topei no ato e as outras ficaram no desalento, broxaram e começaram a desfazer da minha performance na cama. Elas nunca tinham sido enrabadas por mim, mas botavam defeito assim mesmo.

Entrei num carrão esporte vermelho, com as beldades, bem bacana, tipo carango de filme. Elas sacavam um drive-in na redondeza, voamos pra lá. Sua amiga índia sugeriu que fôssemos para um motel que tivesse uma banheira de hidromassagem. “Estamos com a grana”. Elas diziam. “Estamos com a grana e a  cabeça feita, agora a gente só precisa gozar com um macho como você”. Tava lindo pra mim, me sentia o próprio Rocco no meio daquelas piranhas festeiras. Parecia que todo sangue do meu corpo estava armazenado no pau.

Chegamos no motel e fui logo bolinado as meninas, elas me chupavam intercaladamente. Pediam pra que eu assasse minha lingüiça dentro de seus rabos. Cuspi bem escarrado em cada buraco e botei a  cabeça. Escorreguei de leve na Índia enquanto a Ruiva engolia meu saco e passava a língua no meu rabo. Era só continuar por ali e estaria tudo perfeito, eu teria um fim de noite digno e tranqüilo. Tava inteiro dentro da Índia que possuía uma das maiores manzanas que eu já tinha presenciado. Eram pelo menos cento e vinte centímetros de carne pra ser devorada. Eu não precisava ser delicado com aquele rabo bem servido e bem utilizado. Eu metia como se tivesse dentro de uma buceta, à vontade,  e ela pedia mais. Tava gostando de ser calibrada daquele jeito. Fui esguichando dentro, fora, na boca das beldades, na televisão, no teto. Esguichei até capotar e acordar no apartamento das duas no final da tarde do dia seguinte. Mas a essa altura do campeonato elas tavam irreconhecíveis, só saquei quem eram porque elas contaram em detalhes o que tinha acontecido. Nem tentei disfarçar minha decepção. Tavam sem suas perucas, vestidas em calças jeans e camisetões, não disfarçavam suas trolhas e exibiam suas malas como se fossem os estivadores do porto de Santos. Até coçar o saco elas coçavam. Pareciam mais lésbicas do que travestis. Me serviram um copo de cerveja, percebi que na essência elas eram realmente simpáticas e hospitaleiras. Levantei-me e fui embora com o copo de cerveja na mão, não havia nenhuma coerência em continuar por ali.

 

 

 



Escrito por Blue Velvet às 11h12
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