O melhor em sua categoria Tocava alguma coisa no rádio. Tocava alguma coisa tipo Sex Pistols. Ela dançava só de calcinha e João não dava a mínima pro som. O cara tinha emendado três dias num só e já tava na terceira garrafa de conhaque. “ Vem dançar comigo, vamos trepar”, disse Sarita. “Porra eu não gosto nem de música e nem de trepar.” “Pô, você gostava.” “Gostava do quê, caralho. De música ou de trepar?” “De trepar João, de trepar você gostava. De música você nunca gostou, mas de trepar você gostava.” “Gostava, Sarita. Gostava, mas não gosto mais.” “Você não fica mais de pau duro quando me vê?” “ De pau duro eu fico, mas não me ânimo em ir em frente.” “Como assim?” “Como assim o quê? Porra. Será que eu tenho que ter um caralho de resposta pra tudo.” “ Não, não precisa. Pode continuar com a grosseria.” “ Boa, é uma opção.” “ Essa coisa de não querer trepar é só comigo ou você tá comendo outras?” “Que outras Sarita? Você já dá trabalho o suficiente.” “ Então não tem outra vagabunda.” “ Na mosca, não tem outra, você já vale por um galinheiro completo.” “ Assim eu fico mais tranqüila.” “ E você, tá se virando como?” “Eu tenho o Ben Johnson na minha gaveta.” “O quê, o cara saiu pelado numa dessas revistas de viado e você fica batendo siririca pra ele?” “Que foto porra nenhuma, eu lá sou mulher pra ficar batendo siririca pra foto. O Ben é meu vibrador.” “Vai em frente, baby.” “É só isso que você tem a dizer: ‘Vai em frente, baby’” “Que mais você queria?” “Caralho, João. Eu queria só um pouco de emoção.” “Tem que ter emoção também? Além de pensar na idéia de meter eu tenho que me emocionar?” “Bem que você podia né. De vez em quando, só pra variar.” “Eu não gosto de variar.” “Sua vida é um pé no saco.” “ É?! Eu nem tinha percebido. A tua é que é divertida pra cacete, nénão?” “ Pode crer que é.” “ Pelo menos tem alguém nessa casa que se empolga com alguma coisa.” “Sempre dá pra mudar, João. É só querer.” “Agora só falta você deixar mensagens otimistas na cozinha.” “Não seria uma má idéia.” “Aproveita e põe um pinico do lado. ” “Onde está aquela empolgação que você tinha com as coisas.” “ Desde quando você me viu empolgado com alguma coisa.” “ Você se empolgou comigo quando se casou.” “ Não filhinha, meus motivos pra casar foram outros. Nunca tiveram nada a ver com empolgação.” “Nunca!” “Eu só tava cansado do bar, por isso casei com você. Mas agora eu sinto uma puta falta das mesmas piadas que os bebuns contavam.” Sarita se fechou em copas. Ela gostava de se fechar em copas dentro do banheiro e fumar dois ou três cigarros seguidos. João apagou, aquela conversa tinha sugado seu resto de energia. Aos poucos Sarita foi relaxando, botou um disco do Sinatra e pegou o Ben pra sua festa particular. Abriu bem as pernas pra dar espaço pra tora e começou o serviço. Ben parecia legal e satisfeito. Enquanto João roncava cada vez mais alto. “Você podia vir até aqui, João. Podia rolar uma suruba.” “Que suruba, esse vibrador jamaicano não é gente não”, João falou sem sequer abrir os olhos. “Pra mim o Ben tem personalidade.” “Você devia arrumar um preto de verdade.” “Eu te amo, João. Gosto de trepar com o Ben, mas te amo.” “Porra, Sarita. Desencana de mim.” “Não seria nada mal. Eu, você e o Ben... “O quê?” “A gente podia fazer um triângulo amoroso.” “Vou pensar, Sarita, vou pensar. Por enquanto eu tô fora. Fica a vontade com ele e me avisa quando quiser ficar a sós com esse tal de Ben, me avisa que eu vou pro bar. Fica bem, Sarita. Agora vê se geme mais baixo que eu quero dormir.
Escrito por Blue Velvet às 16h05
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|